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Estados Unidos desvalorizam “bomba quase atómica” da Coreia do Norte

As autoridades de Washington parecem não estar preocupadas com o anúncio feito pela Coreia do Norte de que já possuía armas nucleares. Para a secretária de Estado, Condoleezza Rice, “não passa de bluff. Temos informações seguras de que não há motivo para tanta apreensão.”

As informações seguras que os Estados Unidos dizem possuir dirão respeito a um relatório da CIA, segundo o qual, a bomba que Pyongyang diz possuir é apenas “quase atómica,” ou seja, ainda faltarão alguns anos de desenvolvimento para que o seu potencial destrutivo seja concretizado, o que será dificultado pelo facto de o salário dos cientistas encarregues do processo consistir num punhado de bagos de arroz e em meio gafanhoto ressequido. Não se sabe, sequer, se conseguirão manter-se vivos até à conclusão dos trabalhos que decorrem lentamente pois só dispõem de electricidade três horas por dia até a selecção nacional de ciclismo se cansar de pedalar para alimentar o gerador.

Ainda de acordo com a CIA, que teve acesso a fotografias tiradas por um satélite-espião do que parecem ser mísseis nucleares, os mísseis estarão recheados com areia, pregos ferrugentos e os fogos de artifício que sobraram da última celebração do Dia do Trabalhador, confirmando-se que o seu potencial destrutivo deixa algo a desejar. Em alguns casos, é possível ver na ampliação das fotografias que existem mísseis com janelas, o que dá a entender que estarão a ser loteados e usados como apartamentos pela carenciada população norte-coreana.

O dilema que a administração de George Bush enfrenta agora relaciona-se com a aceitação ou não das informações fornecidas pela CIA que já falharam num passado recente e que poderiam provocar embaraços, o que levou à actual postura de não negar nem confirmar a capacidade nuclear do regime de Kim Jong-Il, optando-se pela classificação dos mísseis como “bombas quase atómicas.” Esta classificação foi prontamente desmentida por Pyongyang. Para o primeiro-ministro, Pak Pong Ju, “a bomba ser real e ter grande bum.”

O impasse provocado pela publicitação de armas que podem ser apenas imaginárias, levou já as autoridades da Coreia do Sul a prepararem-se para responder aos vizinhos do norte, anunciando para breve a apresentação pública do seu “polvo gigante amestrado com tentáculos de raios laser e turbinas a jacto.”