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Americanos questionam processo democrático: Bush eleito quer obtenha mais votos do que o adversário ou menos

Depois da agitação das eleições, grupos dispersos de americanos começaram a reflectir sobre os resultados e chegam a conclusões que colocam em causa a validade do próprio sistema democrático americano.

A conclusão mais preocupante é a de que George W. Bush parece ganhar qualquer que seja o resultado. Ou seja, nas eleições anteriores em 2000, Bush conquistou 47% dos votos contra 48% do candidato democrata Al Gore. Este ano, voltou a ser eleito com 51% dos votos contra 48% de John Kerry, sugerindo que quer seja o candidato preferido pela maioria dos eleitores ou não, o antigo governador do Texas sai sempre vencedor.

“É confuso demais para mim,” confessa Pete Rodelle, professor de malabarismo numa escola do Connecticut e cozinheiro de pizzas nas horas vagas, “Sempre me disseram que em democracia os vários candidatos concorriam às eleições e, no fim, aquele que tivesse mais votos ganhava mas depois das eleições de há quatro anos parece que não é assim.”

A confusão levou Pete e muitos americanos, numa tentativa para encontrar uma lógica no complexo sistema eleitoral americano, a pensar que, nas democracias, ganha o candidato com mais votos a não ser que a diferença entre os dois seja mínima. Nesse caso, ganhará o segundo candidato mais votado por algum motivo obscuro mas que sempre se acreditou ser do conhecimento de pessoas mais esclarecidas sobre estes assuntos do que o americano-padrão. No entanto, esta teoria acabaria por ser deitada por terra com a vitória de Bush sobre Kerry.

Para ajudar a lidar com a confusão, Pete Rodelle fundou a “Americans Who Just Don’t Get It,” (AWJDGI) uma associação cívica formada por cidadãos preocupados em perceber como funciona a democracia americana. “Se queremos impor a democracia ao mundo, devemos antes perceber um pouco mais do assunto,” considera.

Assim, os membros da AWJDGI têm passado os últimos dias em clausura, reflectindo sobre o assunto e formulando teorias que possam ajudar a lançar luz sobre o assunto. Até agora, entre as teorias formuladas, parecem ser mais consensuais, as que indicam que, em caso de proximidade de resultados, vence o candidato que não tiver pessoas de ascendência portuguesa na família e que nunca tenha casado com viúvas de magnatas dos condimentos (referência à esposa de John Kerry, Teresa Heinz Kerry) ou o candidato que tenha pelo menos um ex-chefe de estado entre os parentes mais próximos.

Para ajudar a esclarecer o assunto, a direcção da associação enviou cartas aos vários órgãos de soberania dos Estados Unidos, pedindo explicações acerca do funcionamento do sistema eleitoral americano e da pertinência do colégio eleitoral, organismo responsável pela eleição indirecta do presidente, mas a única resposta veio de um senador democrata do estado do Illinois que se escusou educadamente a abordar o assunto ao abrigo do “Hell-if-I-know Act” de 1978.