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As aparências iludem

Cavaco Silva pode não ser um candidato a sério

De acordo com o caracol falante de Arcos de Valdevez, fabuloso molusco vidente cuja beatificação em vida é exigida por uma multidão de seguidores devotos, Cavaco Silva pode não ser realmente um candidato presidencial mas apenas a fachada para uma candidatura do general Ramalho Eanes. A suspeita surgiu com a constatação de que, com a aproximação das eleições, Cavaco parece não ter grande interesse em participar em actos públicos de pré-campanha, fugindo à atenção mediática pela qual, habitualmente, os políticos dão o cu e oito tostões (e não se entenda isto como uma piada maldosa sobre Paulo Pedroso até porque ninguém falou em rapazinhos, excepto nesta frase que agora chega ao fim).

Amigos próximos do general e ex-presidente (os dois que tem e que o tratam ambos por “meu general” apesar da proximidade e afeição) acederam em trocar o recato do amigo por umas caipirinhas improvisadas com diluente e raspa de limão e confessaram que, nas noites de bisca erótica na casa dos Eanes ao Lumiar, tem-se falado com frequência num regresso do patriarca Ramalho a Belém.

No entanto, o principal problema de uma eventual recandidatura de Eanes seria o efeito nocivo de um longo afastamento da política activa que faria com que, a muitos eleitores, o seu nome pouco ou nada dissesse.

Para contornar esse problema, contactou-se, Cavaco Silva, alguém que os portugueses vêem com uma aura de salvador político do país, e que se disponibilizou a colaborar em troca de uma noite de convívio íntimo com o cabelo lacado de Manuela Eanes que adquiriu vida própria em meados de 1989 e começou a comportar-se como uma verdadeira leviana (o cabelo e não Manuela Eanes).

Cavaco dará a cara em todas as acções de campanha, remetendo-se Ramalho Eanes para a discreta posição de presidente da sua comissão de honra. No dia das eleições, o boletim de voto terá o nome do general e uma fotografia manipulada para ficar ligeiramente parecido com o antigo primeiro-ministro, esperando-se que a sofreguidão sebastianista dos eleitores não lhes permita dar pela marosca.

A seguir à esperada vitória, Cavaco retirar-se-á para uma ilha dos mares do sul com a família e a sua betoneira de estimação, enquanto que Ramalho dará início a mais um glorioso mandato à frente dos destinos do país que aprendeu a amar a sua dicção sem mácula e a rigidez provocada pelas ceroulas de cota de malha que usa desde pequenino.

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