Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
www.inepcia.com

Um em cada 10.000 portugueses é rico

Belmiro, 57 anos, vive numa mansão em Sintra com a família mais próxima e um pequeno grupo de empregados. “O segredo é viver um dia de cada vez e nunca pensar no dia seguinte,” considera. Belmiro, como tantos outros portugueses é forçado a viver diariamente com o estigma da riqueza.

Os seus dias são sempre iguais. É acordado pelo empregado que lhe vem trazer o pequeno-almoço à cama numa bandeja de prata, lê os jornais do dia, dedicando especial atenção à actualidade económica, consulta as cotações das suas empresas, almoça com um presidente de um país subdesenvolvido ansioso por investimento estrangeiro e passa as tardes a jogar xadrez com peças humanas que não são mais do que órfãos de instituições de caridade de que é benemérito. Ao fim do dia, e depois de jantar usando as costas de um criado como mesa, retira-se para um dos seus vinte quartos e adormece ao lado de uma top model de quem nem sabe o nome, sonhando com dias melhores.

Infelizmente, Belmiro não é caso único. Pensa-se que um em cada 10.000 portugueses seja rico e, apesar de o número de casos de riqueza em Portugal estar estacionário, não se prevendo que venha a crescer durante os próximos anos, é pouco provável que diminua mesmo com a crise económica. No dia em que se celebra o Dia Internacional para a Erradicação da Riqueza, uma iniciativa das Nações Unidas, o Observatório Português da Riqueza e Superioridade Económica (OPRSE) pretende chamar a atenção para a situação em que vivem os ricos em Portugal.

“As pessoas passam por eles na rua, vêem-nos sentados em restaurantes de luxo ou a posar para fotografias em festas e ignoram-nos porque é sempre mais fácil desviar os olhos e fingir que o problema não é nosso. A riqueza é algo que nos toca no mais fundo da nossa essência. Ao vermos alguém a entrar para um carro de alta cilindrada com casacos de peles e jóias caras, apercebemo-nos de que estamos a um pequeno passo de nos acontecer o mesmo. Basta um acaso como fazer um seis no Totoloto ou ter o azar de escolher o bilhete premiado da taluda,” considera Sandra Pascoal, do OPRSE. Os grupos de risco são vários. Empresários, jogadores de futebol, artistas, apresentadores de televisão, políticos mas a riqueza pode abater-se sobre qualquer um de nós.

Para o ministro da Segurança Social, Bagão Félix, “a riqueza é um problema grave do país e que está a ser devidamente acompanhado pelo Governo mas não nos podemos esquecer de que Portugal não tem só ricos. Há sempre o lado positivo das coisas e podemos orgulhar-nos de termos pobres ao nível de qualquer país sul-americano.”

Mas ser rico não é motivo para perder a esperança. Rita Durand de Vasconcellos nasceu rica no seio de uma família de empresários da cortiça. Com a crise do sector, Rita investiu todo o dinheiro que tinha numa fábrica de palmilhas comestíveis. Dois meses depois, estava falida, forçada a vender as casas, os carros e o iate e a vender o corpo para conseguir comer. Hoje, todos a conhecem como Ritinha Badalhoca do Intendente e é apontada como exemplo de que é possível vencer a riqueza mais extrema. “Ninguém acreditava que fosse capaz mas, contra tudo e contra todos, consegui,” afirma com orgulho, “O importante é nunca desistirmos.”

Recuar