Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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RTP redefine conceito de serviço público

A administração da RTP pretende redefinir o conceito de serviço público de televisão como resposta aos críticos que acusam a empresa de não prestar aos cidadãos o dito serviço a que está obrigada por lei. Para o presidente da estação, Almerindo Marques, “o problema reside no facto de o serviço público ser uma coisa muito vaga de que todos falam mas que pouca gente sabe o que é, sendo necessária uma reformulação do próprio conceito.”

Para levar a cabo a tarefa de reformulação dos princípios orientadores da televisão pública, foi constituída uma comissão composta por profissionais da empresa de competência reconhecida por todos. A presidir os trabalhos estará Fátima Campos Ferreira, jornalista da casa, que orientará uma equipa composta por Nicolau Breyner, Fernando Mendes, Vera Roquette, Serenella Andrade, Merche Romero, Moita Flores e uma estagiária anónima que ficará encarregue de impedir que Fernando Mendes coma as conclusões a que chegarem.

A Inépcia sabe que foram já alinhavados os novos princípios orientadores do serviço público e que estes diferem dos até aqui existentes e que, de forma vaga, referiam uma conjugação harmoniosa entre informação rigorosa, ficção de qualidade com destaque para a produção nacional, divulgação das artes e concessão de espaço às minorias e às regiões, entre outros aspectos. Este conceito foi, de imediato, posto de parte e considerado obsoleto.

Assim, o novo serviço público de televisão em Portugal orientar-se-á pelos seguintes princípios: 1-Produção de programas com a duração de várias horas e com um mínimo de 3 apresentadores e máximo de 17 que conjugue números musicais com entrevistas a uma média de 38 convidados por emissão; 2-Escolha de apresentadoras jeitosas saídas de catálogos de venda de roupa por correspondência e que fiquem bem ao lado de Jorge Gabriel ou de José Carlos Malato; 3-Obrigatoriedade de os apresentadores manterem um sorriso durante todo o tempo em que a sua cara for visível no ecrã; 4-Inclusão na grelha de concursos em que se convençam jovens ingénuos de que têm talento para cantar de forma a fomentar um clima de optimismo irrealista junto dos portugueses do tipo “Se aquele gajo consegue cantar na televisão, eu também consigo tirar a empresa da falência;” 5-Fidelizar audiências através da repetição constante de spots promocionais elogiando as qualidades da RTP, conseguindo-se assim uma espécie de fidelização por sugestão hipnótica.

Com este novo código de conduta, os profissionais da RTP mostram-se confiantes num cumprimento rigoroso de todos os pontos. De acordo com Fátima Campos Ferreira num spot promocional a exibir brevemente: “a televisão pública está mesmo a mudar. Estamos a trabalhar todos os dias para levar até si o melhor que conseguimos fazer. Confie em nós.”

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