Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Nova RTP 2 define plano de acção para alcançar audiência zero

O novo segundo canal da RTP terá como objectivo último fidelizar uma audiência que ronde os zero espectadores ou mesmo que atinja esse número, de acordo com as expectativas mais optimistas da direcção. “É um desafio a que nos propomos, conscientes que estamos das dificuldades de atingir um objectivo tão ambicioso porque, afinal de contas, há-de haver sempre alguém a ver,” considera o director do canal, Manuel Falcão.

A audiência zero como objectivo surgiu no período em que se estudava uma forma de entregar a RTP 2 à “sociedade civil,” promessa várias vezes feita pelo ministro da tutela, Nuno Morais Sarmento, depois de longos meses em que tentou explicar o que entendia ao certo por “entrega à sociedade civil,” e após reunião que redundou em noite de copos num bar colunável de Lisboa. Ao fim da noite, Vasco Graça Moura, um dos convidados para a sessão de “brainstorming” sugeriu, já algo tocado pelo vodka com laranja, que a melhor contribuição que um canal como a RTP 2 poderia dar à evolução cultural dos espectadores seria não ser visto, possibilitando ao espectador dedicar-se a actividades mais proveitosas para a sua formação pessoal tais como a leitura, a prática desportiva ou a veneração dos grandes ícones culturais do nosso tempo como o próprio Vasco Graça Moura. Como a noite já ia longa e o bar já estava quase a fechar, o grupo recebeu de braços abertos a ideia e cada qual foi para a sua casa curar a borracheira respectiva.

Posteriormente, traçou-se o plano de acção que permitirá atingir as almejadas audiências zero. Começou-se pelo nome do novo canal. A velha designação RTP 2 foi abandonada por consciência de que as siglas são contrárias à estética pós-moderna e optou-se por um nome composto por uma única palavra. Ao longo dos anos, os portugueses habituaram-se a chamar carinhosamente “segundo” ao segundo canal da RTP mas este termo contém em si uma imagem de subalternização que se considerou ser bastante negativa. A escolha acabaria por recair sobre a forma por extenso do número identificativo do canal com a vantagem de, ao chamar “A Dois” a um canal de televisão, evoca-se todo um imaginário deprimente capaz de levar o teledependente mais agudo a desligar o televisor.

Se o nome por si só não funcionar, Manuel Falcão promete uma programação repleta de cidadania. Questionado sobre o que entende por “cidadania”, Falcão explicou que “não sei muito bem mas envolve debates com políticos que não conseguem aparecer em mais lado nenhum, programas sobre o código da estrada, e palestras de bombeiros sobre o que fazer em caso de abalo sísmico.” Para ajudar ainda mais, a “Dois” contará com o precioso auxílio de um dos mais populares vultos culturais autoproclamados do país, Anabela Mota Ribeiro, que terá a seu cargo o “Magazine,” programa de informação cultural que Anabela espera a ajude a concluir as cadeiras que faltam do curso de Filosofia que interrompeu quando o apelo da cultura foi mais forte e se dedicou a apresentar o programa “Praça da Alegria” com Manuel Luís Goucha.

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