Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Mensagem de Sampaio afinal não era dirigida a ninguém

A carta enviada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, ao Parlamento e que tanta celeuma provocou com as inúmeras interpretações feitas pelas várias forças partidárias e com a particularidade de cada partido considerar a mensagem como uma crítica aos seus adversários políticos, afinal, não era dirigida a ninguém.

A notícia foi dada por um porta-voz do Palácio de Belém que acabou com a discussão ao admitir que tudo não passou de um equívoco dos serviços da Presidência. “Foi um engano inocente mas que não deixamos de lamentar,” considerou o porta-voz, explicando que “existiam duas cartas, uma dirigida ao Parlamento e outra não, e que houve uma troca das duas.”

A carta dirigida por Sampaio ao Parlamento destinava-se apenas a solicitar uma autorização para efectuar uma viagem oficial ao Chipre, um dos países que em breve entrará na União Europeia como é exigido pela Constituição, estando longe de poder provocar qualquer polémica e não existindo qualquer intenção de criticar quem quer que fosse. A outra carta, que foi entregue na Assembleia da República por engano e lida aos deputados por Mota Amaral, nunca deveria ter saído da gaveta presidencial por se tratar de um texto de ficção, parte de um livro que Sampaio está a escrever e que se passa num país pobre e atrasado do Sul da Europa encravado entre um governo incompetente e uma oposição incapaz, tratando-se de um retrato fantasista e sem qualquer ligação com a realidade.

Agora que está esclarecida a questão que ocupou os trabalhos parlamentares durante tanto tempo, os deputados preparam-se para passar à polémica seguinte, contornando o risco que poderia advir do facto de ficarem sem polémicas para comentar e terem de fazer alguma coisa menos apropriada ao seu estatuto como, por exemplo, trabalhar.

Ao que a Inépcia apurou, as próximas sessões parlamentares servirão para discutir a inscrição feita num edifício próximo do Palácio de São Bento e numa parede virada para a entrada principal da Assembleia da República em que se pode ler “Vão-se todos foder.” Para o PSD, trata-se de um voto de confiança ao trabalho realizado pelo Governo, apelando à multiplicação das políticas que têm mantido o país no pelotão da frente da Europa enquanto que, para o PS, é uma crítica clara ao rumo que o Governo tem seguido e que acabará por conduzir Portugal à ruína e ao agravamento do atraso estrutural. Para o cidadão comum, no entanto, é mesmo o que lá está escrito.

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