Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Santana Lopes quer sem-abrigo vestidos de Pai Natal nas ruas de Lisboa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, quer que os muitos sem-abrigo que vivem nas ruas da capital se vistam de Pai Natal durante a quadra natalícia para reforçar o ambiente de festa que habitualmente se vive durante esta altura do ano. “É uma maneira simples e eficaz de complementar a decoração de Natal das ruas da baixa e de uma forma bastante económica já que apenas temos de pagar o aluguer dos fatos e das barbas para alguns dos sem-abrigo, visto que muitos já as têm,” considerou o autarca.

A existência de pessoas forçadas a dormir nas ruas é um dos problemas mais sérios que afectam as grandes cidades do mundo ocidental e também as pequenas, como Lisboa. Habitualmente, os cidadãos viram a cara para o lado ou fingem não os ver mas numa época em que faz parte do folclore louvar as virtudes da compaixão e do amor fraterno e se valoriza o convívio familiar, é difícil evitar remorsos quando alguém se depara com um idoso a cheirar a vinho barato que tem a caixa de um frigorífico como casa e é forçado a recorrer ao lixo, a sobras de comida ou até aos restaurantes da cadeia McDonald’s para se alimentar.

“É no mínimo deprimente,” considera Maria Augusta de Lucena Pavão, presidente da Associação Portuguesa de Caridadezinha (APCzinha), “uma pessoa esforça-se para lhes dar comida e um cobertor de vez em quando mas aquilo é gente que não é capaz de se esforçar minimamente.” A propósito, Gugu, como gosta que lhe chamem, recorda um episódio pitoresco: “Já perdi a conta às vezes em que dei um saco de plástico com uma laranja, uma sandes de queijo em pão duro e um iogurte fora do prazo a um velhote que mora lá ao pé de casa e lhe disse para se fazer à vida, para arranjar trabalho e para constituir família... e ele está lá sempre. Não sabem aproveitar a bondade de pessoas como nós. Depois desculpam-se que são analfabetos e doentes e alcoólicos e não têm casa e não sei quê.”

Assim, foram já distribuídos fatos completos de Pai Natal por um grupo de sem-abrigo a título experimental, esperando-se que deixem de ser um empecilho causador de remorsos ao cidadão comum que quer fazer as suas compras de Natal em paz e sossego sem ter de se sujeitar a espectáculos deprimentes, ao mesmo tempo que contribuem para dar às ruas da cidade um colorido festivo.

As crianças são as que melhor receberam a ideia, apesar da confusão que a proliferação de Pais Natais sujos e a cheirar mal tem causado junto das mais sensíveis. Alberto Dores, comerciante de 34 anos, recorda com embaraço o que sucedeu quando passeava pela baixa com o seu filho de sete anos e este lhe perguntou “Papá, por que é que o Pai Natal está ali deitado naquela sarjeta numa poça de vómito?”

Para os sem-abrigo, habituados a ser ignorados, qualquer medida é sempre positiva. Julião, sem-abrigo há mais de 20 anos explica que “esta ideia do senhor presidente é muito boa... muito melhor do que aquela de nos pôr a fazer o trabalho dele por turnos para se poder dedicar a tempo inteiro aos comentários na televisão e às festas da alta.”

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