Inépcia: s.f. (do latim "ineptia) 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
www.inepcia.com

Descoberto sósia de Saddam Hussein em Portugal

Entre os vários sósias que Saddam Hussein tem ao seu serviço para se encarregarem dos seus compromissos de Estado, há um que merece a nossa atenção. Trata-se de Catarino Deodato Mafoma, natural do distrito de Évora e residente na Amadora. Catarino é, até à data, o único sósia estrangeiro do ditador iraquiano. A sua carreira como sósia começou há cerca de dezoito anos, antes da Guerra do Golfo, no auge do poder de Saddam. “Respondi a um anúncio que vi no jornal a pedir homens de meia idade com bigode e aspecto rude e, como já sou um homem de meia idade de bigode e aspecto rude desde os meus vinte e dois anos, decidi responder,” explica.

Seleccionado, Casimiro foi presenteado com dois meses de férias pagas em Bagdad que aceitou sem pensar duas vezes. “Confundi Bagdad com Bahamas mas até é parecido. As pessoas são é um bocadinho menos escuras e tem de se andar mais para chegar ao mar,” recorda.

Em Bagdad, foi transportado para as instalações do ministério do interior iraquiano onde foi submetido a um programa intensivo de treino com o objectivo de o tornar o mais parecido possível com Saddam Hussein. No programa participaram mais sete homens, todos com as mesmas características físicas e todos iraquianos. Dos oito, Casimiro era o menos parecido com Saddam mas, segundo conta, os iraquianos pretendiam alguém para representar o presidente num dia mau.

No fim dos dois meses, os oito candidatos a sósias presidenciais deveriam possuir um conjunto de conhecimentos que lhes permitisse convencer qualquer observador atento de que eram realmente Saddam Hussein. Deviam mover-se como Saddam, falar como Saddam e até coçar o nariz como Saddam. Casimiro foi submetido a uma formação especial para ficar familiarizado com a língua arábe e com a cultura iraquiana. Para além disso, deveria converter-se à religião islâmica para que a ilusão fosse perfeita. “Era só o que faltava,” lembra, “Queriam que um gajo fosse muçulmano ou lá o que é. Eu até nem era pela religião que nunca fui muito de ir à missa mas queriam que eu deixasse de comer carne de porco porque era impura, ó caraças. E eu quem me tira um bom coirato tira-me tudo.”

Depois de se tornar o único muçulmano do mundo com autorização oficial para comer carne de porco, Casimiro foi enviado para Lisboa. Os seus conhecimentos da língua árabe limitam-se ao facto de saber que “usam umas letras estúpidas que parecem rabiscos e escrevem ao contrário da gente mas também não faz mal porque quem escreve são os maricas” e o que sabe da cultura iraquiana não vai muito além da gastronomia. “Nem vinho têm, ó caraças,” afirma.
Hoje, Casimiro Mafoma continua a viver na Amadora e a trabalhar como mecânico numa oficina local. Não se arrepende do seu part-time invulgar até porque “eles pagam bem. Todos os meses recebo aí uns bidons de gasolina e gasóleo.” A qualquer momento, espera que o convoquem para ir para o Iraque cumprir o seu dever de sósia de Saddam. Para isso, basta apenas que os outros sete sósias morram ou fiquem irremediavelmente desfigurados.


Recuar