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Tomás Taveira galardoado por apreciadores de arquitectura invisuais

O arquitecto Tomás Taveira, famoso também por motivos relacionados com a arquitectura, foi distinguido com o Espadinha de Platina, troféu atribuído pela Associação Portuguesa de Apreciadores Invisuais de Arquitectura e do Vítor Espadinha (APAIAVE) ao melhor arquitecto do ano.

Para além do troféu propriamente dito, uma estatueta do cantor Vítor Espadinha em tamanho real, o prémio inclui ainda uma quantia em dinheiro e um abastecimento de dois anos de óleo Johnson’s para garantir que a pele dos galardoados se manterá suave como a de um bebé, não se responsabilizando a associação por quaisquer outros usos que sejam dados ao prémio.
Jerónimo Ceguinho, presidente da APAIAVE, justifica a escolha de Taveira pelo facto de, entre todos os edifícios apreciados com recurso ao tacto pelo júri, terem sido os seus os que mais cativaram.

Muitos poderão estranhar a existência de cegos que se dedicam à apreciação da arquitectura mas, para o presidente da APAIAVE, trata-se de algo natural. “Não é preciso ver para distinguir entre boa arquitectura e aquela que abusa de cores berrantes e enfeites ridículos,” explica.

No entanto, a decisão não escapou à polémica como é habitual em quase tudo o que envolva o nome do arquitecto. O anterior presidente da APAIAVE, Manolo Cegueta de Castro, que se viu forçado a abandonar a associação após cirurgia que lhe restaurou a visão, entrou em confronto directo com a actual direcção depois de ter tentado partilhar com estes a sua opinião acerca da obra de Taveira, reformulada depois de a ter apreciado visualmente e sendo ele próprio também um antigo apreciador.

“O choque foi indescritível,” lembra, “passei horas a apalpar as torres das Amoreiras em êxtase estético e, da primeira vez que as vi, vomitei durante dez minutos seguidos.” O gosto por Vítor Espadinha, no entanto, mantém-se inabalável.

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