Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Tensão entre pedintes cegos e pedintes coxos agrava-se

A população de Lisboa vive aterrorizada por uma onda de violência provocada pelo conflito entre os pedintes cegos e os pedintes com deficiências motoras que parecem ter-se organizado em grupos de inspiração mafiosa. Recentemente, vários cidadãos anónimos foram surpreendidos por um confronto entre cegos e coxos no átrio da movimentada estação de metro dos Restauradores.

“Foi horrível,” lembra Madalena Pulquério, secretária de profissão atingida com uma bengala branca no sobrolho quando regressava a casa depois de um cansativo dia de trabalho, “Eu que até costumava sempre dar qualquer coisinha e fazem-me uma destas.”

Tudo começou quando um pedinte com uma perna amputada pelo joelho aproveitou a distracção de um colega de profissão cego para lhe esvaziar a caixa de esmolas. O invisual deu por isso e os dois travaram-se de razões, agredindo-se mutuamente. Em alguns minutos, os muitos pedintes que habitualmente circulam pela baixa pombalina acorreram em massa ao metro dos Restauradores e deram início a uma batalha campal como não se via desde que a Associação de Imigrantes Guineenses e o Partido Nacional Renovador marcaram os seus congressos anuais para o Parque Eduardo VII no mesmo dia e hora.

A partir daqui, a situação tem-se agravado de dia para dia e existem já zonas da cidade reclamadas por grupos rivais de pedintes onde a polícia e a população em geral têm grande relutância em entrar. Uma dessas zonas é o pitoresco bairro de Alfama, transformado em feudo dos pedintes cegos e governado com mão de ferro por um tal Toninho Perdiz, cego de nascença e líder incontestado do grupo depois de ter derrotado o líder do bando dos vendedores cegos de pensos rápidos em combate mortal, conseguindo a unificação dos deficientes visuais numa só força. De então para cá, Toninho Perdiz e os seus seguidores estabeleceram um regime de terror em Alfama, extorquindo dinheiro à população sob ameaças de chantagem emocional. Lúcio Moreira, morador no bairro, dá a cara por uma população assustada. “Eles batem-nos à porta e pedem dinheiro. Se não dermos nada, começam a choramingar que não sabemos a sorte que temos por podermos ver e não vivermos na escuridão como eles que são uns desgraçados e mais não sei o quê. Não há como resistir,” explica a tremer.
Em pouco tempo, formaram-se outros grupos de pedintes e similares que acabaram por se juntar a um ou ao outro lado da contenda. Os pedintes ciganos e os toxicodependentes arrumadores de carros juntaram-se aos cegos enquanto que os vendedores indianos de flores e a federação das romenas com crianças ao colo optou por apoiar os coxos. O consórcio dos pequenos tocadores de acordeão manteve-se neutro até agora.

A Câmara Municipal de Lisboa está a par da situação mas não tem meios para normalizar a vida na cidade desde que o edifício dos Paços do Concelho foi ocupado por uma multidão de estropiados de guerra esquizofrénicos a gritar impropérios contra os “turras.” Os boatos que dão conta do rapto do presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, pelo grupo dos pedintes com penteados foleiros não foi confirmado.

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