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Governo de São Tomé e Príncipe tentou apropriar-se de Morais Sarmento

O Governo português advertiu oficialmente o seu congénere são-tomense para que não volte a tentar apoderar-se de forma ilícita de um dos seus membros. A advertência diz respeito a uma alegada tentativa de desvio do ministro de Estado e da Presidência, Nuno Morais Sarmento, noticiada em Portugal como descuido do ministro que teria aproveitado uma deslocação oficial àquele PALOP por motivos relativamente banais para fazer umas férias à custa dos contribuintes. Ao que apurámos, a verdade não foi revelada para evitar melindrar as relações bilaterais entre os dois países e agravar ainda mais um incidente diplomático grave.

Tudo terá começado com o estabelecimento de um acordo entre a RTP e a televisão de São Tomé, tendo o ministro efectuado uma deslocação ao arquipélago para assinar e oficializar o acordo que incluía a cedência de equipamento usado mas ainda em perfeitas condições, nomeadamente, uma televisão a preto e branco, treze microfones no armazém desde 1978, três sapatos velhos do mesmo pé, um pneu só com dois remendos e meia sandes de paio mordiscada por Fernando Pessa na década de 60. Para a viagem, foi fretado um avião a uma empresa privada por um valor que terá rondado os 100 mil euros.

No entanto, ao chegar a São Tomé, o ministro começou a aperceber-se de que algo não estava bem. Os responsáveis são-tomenses pareciam pouco interessados no acordo, preferindo levá-lo a bares de estabelecimentos hoteleiros de luxo onde lhe eram servidas bebidas e aperitivos à discrição. O ministro começou a sentir-se tonto e cada vez mais liberto de preocupações com o protocolo ao ponto de já tratar os colegas do governo de São Tomé e Príncipe pelo nome próprio e de se rir muito, dando-lhes palmadas nas costas e contando anedotas. Este estado de embriaguez aparente culminou com a queda de Morais Sarmento ao mar de onde foi salvo por um grupo de pescadores locais, sendo esta queda noticiada como participação num programa de mergulho que nunca existiu. Posteriormente, durante convívio ameno com uma série de bailarinas exóticas no bar de um hotel, foi pedido ao ministro português que assinasse um documento em que abdicava do cargo e se comprometia a integrar o executivo são-tomense. Não fosse a intervenção pronta de um membro da comitiva portuguesa que se apressou a tirá-lo dali e o país teria hoje um ministro a menos no seu governo de gestão.

O Governo português, incluindo o próprio Morais Sarmento, que colocou o seu lugar à disposição não por ter feito alguma coisa de mal mas por se sentir culpado pela armadilha em que caiu tão inocentemente, estão convictos de que o ministro terá sido drogado como forma de assegurar os préstimos de um governante de competências reconhecidas e que, certamente, muito poderia fazer para ajudar a resolver os muitos problemas que afligem São Tomé e Príncipe.

O presidente são-tomense, Fradique de Menezes, preferiu não comentar o caso mas manifestou esperança de que “as relações fraternais entre os nossos dois países não sejam afectadas por boatos maldosos.”

Se um incidente deste género se repetir, o Governo português considerar-se-á no direito de raptar qualquer um dos membros do Governo são-tomense, incluindo o ministro da Indústria, Arzemiro dos Prazeres, cujos talentos vocais são famosos em toda a África.