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Encontrada relação entre comportamento da população de Canas de Senhorim e presença de urânio no subsolo

De acordo com um grupo de cientistas conceituados que se reúnem todas as quintas-feiras à noite em casa de um deles para discutir as vantagens dos produtos Tupperware sobre as outras marcas de plásticos, poderá haver uma relação directa entre o comportamento dos partidários da elevação de Canas de Senhorim a concelho e a existência de depósitos de urânio no subsolo da região.

Frederico Frederico, geólogo da Faculdade de Ciências de Tavira considera que “as caixas Tupperware obtêm melhores resultados na conservação dos alimentos do que, por exemplo, as da Domplex.” Quanto à possibilidade de o urânio provocar comportamentos aberrantes em alguns residentes de Canas de Senhorim, afirmou que “isso também é capaz de ser verdade.”

As suspeitas surgiram com uma série de atitudes bizarras do movimento que defende a elevação daquela freguesia do concelho de Nelas a município e que vão muito além do que seria aceitável em manifestações de descontentamento popular, entrando no campo da anormalidade pura.
Entre essas atitudes de bizarria inquestionável, inclui-se a própria causa que defendem visto que ninguém no resto do país compreende por que razão é tão importante para os canenses que Canas de Senhorim seja concelho quando nem sequer reúnem as condições exigidas por lei para a elevação, excepto no que diz respeito ao presidente do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim-MRCCS, Luís Pinheiro, que também é o presidente da Junta (por uma coincidência incrível), eleito pelo PSD num concelho governado pelo PS, e que passaria a presidente da Câmara, com o aumento de prestígio e de salário que uma mudança deste género comportaria.

Outro comportamento incompreensível é a tendência dos membros do MRCCS para defender a sua causa com unhas e dentes, recorrendo à violência se preciso for, mas apenas quando estão presentes câmaras de televisão. Ou ainda a brilhante acção de protesto que consistiu no transporte de sacos de inertes das minas de urânio da Urgeiriça e sua deposição no jardim da Praça Afonso de Albuquerque em frente ao Palácio de Belém.

O manuseamento de material nocivo terá tido efeitos nefastos na normalidade de comportamento dos canenses partidários da elevação a concelho pois, desde que decidiram boicotar o transporte de urânio da mina, um dos mais importantes depósitos de urânio da Europa, e usar os inertes nos seus protestos, a bizarria tem aumentado de forma exponencial.

Luís Pinheiro foi contactado pela Inépcia para comentar mas recusou fazê-lo, prometendo-nos “umas lambadas” por não termos respeito pela “causa canense” e garantindo que os seus correligionários sabem muito bem que o urânio é uma matéria perigosa e que os inertes estão armazenados em caixas de sapatos empilhadas por baixo da sua própria cama, longe do alcance de crianças e produzindo uma agradável luminescência nocturna.