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TVI oferece prémio à vitima nº 200.000 do maremoto

Dando voz aos muitos cidadãos anónimos consternados pela tragédia que se abateu recentemente sobre a Ásia, a TVI pretende oferecer um prémio monetário à vítima mortal número 200.000 do maremoto que atingiu vários países do continente mártir, fazendo uma multidão de vítimas entre nativos e turistas.

“Foi um grande choque,” considera o director-geral da estação, José Eduardo Moniz, “mas isso não quer dizer que não possamos aproveitar a tragédia em nosso benefício. É costume dizer-se que o espectáculo tem de continuar e quem somos nós para desmentir frases feitas?”

O prémio rondará os 30 mil euros e será atribuído logo que se conheça a identidade da vítima 200.000, o que se espera estar para breve, se o número de vítimas da catástrofe continuar a aumentar ao ritmo vertiginoso a que já nos habituámos. Para além do dinheiro, o prémio inclui um cheque-brinde da Moviflor, um apartamento em Vilamoura, um funeral de primeira categoria oferecido pela Agência Salgueiro e um curso de mergulho cortesia do núcleo de humor infeliz da Associação Portuguesa de Engraçadinhos.

Como é óbvio, o estado da vítima não lhe permitirá reclamar pessoalmente o prémio ou beneficiar dele mas este poderá ser aproveitado por parentes próximos, bastando para isso que apresentem prova de parentesco.

Mas as intenções da TVI não se ficam por aí. A feliz vítima terá ainda a oportunidade de assinar um contrato para participação em vários programas ainda não definidos. Fala-se de uma entrevista no “Você na TV” de Manuel Luís Goucha e da possibilidade de o cadáver decomposto ser exibido em cada serviço noticioso como parte do cenário. Esta possibilidade suscitou já protestos da parte da RTP e da SIC que reclamam iguais direitos de aproveitamento da tragédia mas a direcção da TVI mostra-se disponível a facultar a vítima para exibição nos serviços noticiosos dos canais da concorrência em troca de uma quantia simbólica. Confrontado com acusações de “mau gosto,” José Eduardo Moniz lembra que, ao longo das últimas semanas, “os noticiários dos vários canais já passaram tanto tempo a mostrar imagens de cadáveres que isto é só uma variação inocente.”

Quanto a uma eventual participação da vítima 200.000 na próxima edição da “Quinta das Celebridades,” tal estará dependente da sua disponibilidade para tomar banhos de água fria e realizar trabalhos agrícolas a que nem todos se prestarão.