Museu

1998

Não há primeira vez que se preze que não seja embaraçosa e que não puxe uma lágrima de melancolia. Gracinhas adolescentes e excesso de GIFs no que foi, até prova em contrário, a primeira tentativa de fazer humor original na internet portuguesa. Já com a mania de falar no plural e assinando com nick do IRC para dar requinte. Pode não ser webdesign, senhores. Mas é arte. (O link que dizia “SEXO” remetia para uma página onde se lia: “Há dois. O masculino e o feminino. ” Brilhante…)

2000

A tragédia continua no último ano do milénio. A NeO resultou da vontade de unir gente com diferentes sensibilidades e criatividades numa revista mensal onde as divergências fossem fundidas num todo harmonioso. Durou dez meses. Design a cabo do visionário Tiago Silva, um dos pioneiros da internet nacional, posteriormente substituído por motivos de serviço militar. Chamada de atenção para a primeira edição, em que 98% dos autores eram pseudónimos da mesma pessoa.

2001

Novamente a solo, a primeira edição do primeiro ano da Inépcia abria com o texto “Padre despe-se para atrair fiéis”, seguido por “Igreja canoniza Adolf Hitler por engano”. E, ao contrário do que se diz, o daltonismo não mata.

2002

Reconstituição aproximada do segundo design, que durou uns três dias (até alguém me dizer que a “magnífica” arrumação da página no meu monitor se transformava num completo caos em monitores alheios). Ups.

Corrigido o problema, a feiura extrema manteve-se, mas, pelo menos, com tudo no devido lugar. Entretanto, a morada original (inepcia.f2s.com) foi à vida quando o servidor gratuito decidiu deixar de o ser. A Inépcia mudou-se para o Sapo, onde passou pouco tempo, devido a uma mudança para pior no sistema de envio de ficheiros. Seguiu-se emigração para o Brasil, num serviço de alojamento cheio de pop-ups. Em Portugal, ficou a mensagem de rancor.

2003

Depois de um tratamento penoso para minorar o daltonismo,  a nova fatiota estreada já com domínio próprio.

2005

Novo visual e imortalização em livro, estrondoso êxito de vendas com sete reedições e uma ilustração publicitária adorável pela talentosa Lucy Pepper. De notar os anúncios de sex-shops, ideia visioneira* que faria de mim um homem rico. (Nada. Nem uma amostra gratuita.) Valeram os milhões do livro para compensar.

*Metade visionária, metade pioneira.

2008

Actualização do visual anterior (com fundo que faz sangrar os olhos) e exibição inexplicável da fotografia de um chapim (apenas porque sim).

2011

Template construído por órfãos do Corno de África a partir de paus, pedras e lixo variado.

2011